17 de nov. de 2009
não quero mais estrategema
não quero mais estrategema
porque eu sonhei com aquele menino correndo
e
vi
vi aquele menino correndo
aquele menino que era menino novo
e, no novo, é simples
simples assim
simples e só
eu fico aqui
e
vivo
você aí
e
vive
e pronto!
Nunca pensei que separar fosse tão fácil.
porque eu sonhei com aquele menino correndo
e
vi
vi aquele menino correndo
aquele menino que era menino novo
e, no novo, é simples
simples assim
simples e só
eu fico aqui
e
vivo
você aí
e
vive
e pronto!
Nunca pensei que separar fosse tão fácil.
alguma coisa em comum com
Amélie Poulain na vida real é triste demais,
José Matias
16 de nov. de 2009
12 de nov. de 2009
Os peixes
Fui almoçar. Normal - se isto não estivesse ocupando lugar de raridade nos meus últimos dias. (É que às vezes eu me perco nos fios do tempo e teço fomes intermináveis).
Mas o daí é que no restaurante (que, por sinal, tinha limonada grátis) passava um documentário sobre peixes - talvez achassem que isto ajudaria na fome e no peso do prato.
Muitas imagens. De mar e praia. Meu olho batia na TV, nos intervalos das garfadas, e via, a cada hora, um bicho do mar diferente. Era um documentário sobre a diversidade.
baleia
leão marinho
peixe palhaço
tartaruga
escafandrista
- As larvas de lagosta parecem fibra de vidro.
Era tudo tão bonito e azul que conclui mesmo que só podia ser inútil (não a lagosta, mas o programa, como este texto).
Num dos meus olhares para a tela: um desses bichos molengos de fundo de mar. Esponjoso, disforme, confundia o chão. O documentário contava sobre seu ritual de acasalamento. O bicho piscou algo que parecia um olho, deu umas voltinhas, recuou, voltou. A fêmea? Imóvel, agarradinha ao chão cinza cor-de-sua-pele.
- O macho tenta tudo o que é esperado de sua espécie e nada. É um peixe frio.
Então, eu achei que era comigo (já disse da minha mania de achar sentido?).
Aquele narrador falava comigo e minha pele cinza e minhas voltinhas.
É que eu já fiz isso e nem sou macho. Nem peixe.
Digeri tudo aquilo com humilhação.
Mas talvez fossem só peixes.
Mas o daí é que no restaurante (que, por sinal, tinha limonada grátis) passava um documentário sobre peixes - talvez achassem que isto ajudaria na fome e no peso do prato.
Muitas imagens. De mar e praia. Meu olho batia na TV, nos intervalos das garfadas, e via, a cada hora, um bicho do mar diferente. Era um documentário sobre a diversidade.
baleia
leão marinho
peixe palhaço
tartaruga
escafandrista
- As larvas de lagosta parecem fibra de vidro.
Era tudo tão bonito e azul que conclui mesmo que só podia ser inútil (não a lagosta, mas o programa, como este texto).
Num dos meus olhares para a tela: um desses bichos molengos de fundo de mar. Esponjoso, disforme, confundia o chão. O documentário contava sobre seu ritual de acasalamento. O bicho piscou algo que parecia um olho, deu umas voltinhas, recuou, voltou. A fêmea? Imóvel, agarradinha ao chão cinza cor-de-sua-pele.
- O macho tenta tudo o que é esperado de sua espécie e nada. É um peixe frio.
Então, eu achei que era comigo (já disse da minha mania de achar sentido?).
Aquele narrador falava comigo e minha pele cinza e minhas voltinhas.
É que eu já fiz isso e nem sou macho. Nem peixe.
Digeri tudo aquilo com humilhação.
Mas talvez fossem só peixes.
alguma coisa em comum com
Ê peixão,
o que é esperado da sua espécie
O amor que eu um dia
"Não se afobe, não,
que nada é pra já
O amor não tem pressa ele pode esperar
Num fundo de armário
na posta-restante
que nada é pra já
O amor não tem pressa ele pode esperar
em silêncio
Num fundo de armário
na posta-restante
Milênios
Milênios
no ar"
alguma coisa em comum com
amores serão sempre amáveis,
mas um milênio é muito cumpade,
vamos ao cinema?
11 de nov. de 2009
erros de digitação
lama alma
alma lama
triste traste
traste triste
pau pai
pai pau
tina tona
toma tina
amor maor
e continua
alma lama
tudo é barro
triste traste
traste triste
não quero nenhum deles
pau pai
pai pau
Édipo manda lembranças
tina tona
toma tina
eu também sou Tina
amor maor
porque tudo é tamanho
e continua
cada um tem o oráculo que pode
Não digas: "o mundo é belo".
Quando foi que viste o mundo?
Não digas: "o amor é triste".
Que é que tu conheces do amor?
Não digas: "a vida é rápida".
Como foi que mediste a vida?
Não digas: "eu sofro".
Que é que dentro de ti és tu?
Que foi que te ensinaram
Que era sofrer?
In: MEIRELES, Cecília. Cântico. 3. ed. SP: Moderna, 1983.
Quando foi que viste o mundo?
Não digas: "o amor é triste".
Que é que tu conheces do amor?
Não digas: "a vida é rápida".
Como foi que mediste a vida?
Não digas: "eu sofro".
Que é que dentro de ti és tu?
Que foi que te ensinaram
Que era sofrer?
In: MEIRELES, Cecília. Cântico. 3. ed. SP: Moderna, 1983.
Não sei se é bom ou ruim.
Se é certo ou errado, mas leio esse livro,
como minha mãe já fez,
como um guia espiritual,
um livro de sabedoria,
uma espécie de bíblia ou i-ching.
E faz tanto sentido...
Talvez eu tenha essa loucura
- admito -
a mania de achar sentido.
alguma coisa em comum com
cântico,
clichês,
definições
o cão kazacuta
"Um dia era de tarde e vi o tio Joaquim dar banho ao Kazucuta. Um banho de demorar. [...] Lembro o Kazucuta a adorar aquele banho, deve ser porque era um banho sincero, deve ser porque o tio punha devagarinho frases ao Kazucuta, e ele depois ia adormecer. Kazucuta: lembro bem os teus olhos doces a brilhar tipo um mar de sonhos só porque o tio Joaquim – o tio Joaquim silencioso – veio te dar banho de mangueira e te falou palavras tranqüilas num kimbundu assim com cheiros da infância dele."
Trecho do livro Os da minha rua, do escritor angolano Ondajaki.
Trecho do livro Os da minha rua, do escritor angolano Ondajaki.
alguma coisa em comum com
dó e amor,
olho de bicho conversa comigo
10 de nov. de 2009
isto me enfrangalha

ciropédia ou a educação do príncipe
You find my words dark? Darkness is in our souls, do you not think? (James Joyce)
1
A Educação do Príncipe em Agedor começa por um cálculo ao coração. Jogam-se os dados, puericultura do acaso e se procura aquela vértebra cervical de formato de estrela ou as filacteras enroladas no antrebraço direito: sinal certo do amor.
Em Agedor o Príncipe é um operário do azul: de suas mãos edifica - infância - as galas do cristal e doura o andaime das colméias: paz de câmaras ardentes.
O Preceptor - Meisterludi - dá o tema: rigor! As matemáticas: cáries de uma série gelada. Linguamortas: oblivion sangrando a raiz dos árias: ars. Linguavivas: amor.
O Príncipe, desde criança, é um aluno do instinto. Saúda as antenas dos insetos. Ave! às papilas papoulas e à clorifila - salve! tornassol das espécies sensíveis.
[...]
Ele orienta as abelhas. Ele irisa as libélulas. Ele entra o palácio dos corais e suspende os candelabros.
À hora dos deméritos o Mestre diz: Rigor!
Infância do Príncipe: água de que se fartam infinitas crianças.
(Haroldo de Campos, 1951)
e tem mais assim:
"O Príncipe aprende a equitação do verbo. As palavras ódio e amor nada significam em Agedor - pois significam tudo."
alguma coisa em comum com
espécies sensíveis,
hora dos deméritos,
rigor e giro,
sinal certo do amor
mais intenso que o fogo
esse fogo
fogo
queima minha nuca
esse fogo
fogo
sobe na garganta
esse fogo
fogo
não me deixa calar
esse fogo
fogo
irrita meu esôfago
esse fogo
fogo
sorri pro querosene
esse fogo
fogo
volúpia e luxúria
esse fogo
fogo
vem da inquisição
esse fogo
fogo
é pentecoste
esse fogo
fogo
é desejo natural
esse fogo
fogo
acende meu cigarro
esse fogo
fogo
seu isqueiro me piscou?
esse fogo
fogo
me leva ao inferno
esse fogo
fogo
agita minha cabeça
esse fogo
fogo
sobe até o céu
esse fogo
fogo
é purificação
esse fogo
fogo
castiga o meu ventre
esse fogo
fogo
me enche de azia
esse fogo
fogo
aqui na minha orelha
esse fogo
fogo
esquenta o meu sangue
esse fogo
fogo
a febre me ultrapassa
esse fogo
fogo
veja o rubor
esse fogo
fogo
só apaga quando eu choro
fogo
queima minha nuca
esse fogo
fogo
sobe na garganta
esse fogo
fogo
não me deixa calar
esse fogo
fogo
irrita meu esôfago
esse fogo
fogo
sorri pro querosene
esse fogo
fogo
volúpia e luxúria
esse fogo
fogo
vem da inquisição
esse fogo
fogo
é pentecoste
esse fogo
fogo
é desejo natural
esse fogo
fogo
acende meu cigarro
esse fogo
fogo
seu isqueiro me piscou?
esse fogo
fogo
me leva ao inferno
esse fogo
fogo
agita minha cabeça
esse fogo
fogo
sobe até o céu
esse fogo
fogo
é purificação
esse fogo
fogo
castiga o meu ventre
esse fogo
fogo
me enche de azia
esse fogo
fogo
aqui na minha orelha
esse fogo
fogo
esquenta o meu sangue
esse fogo
fogo
a febre me ultrapassa
esse fogo
fogo
veja o rubor
esse fogo
fogo
só apaga quando eu choro
alguma coisa em comum com
artifício é fogo,
e fogo sempre começa pequeno
9 de nov. de 2009
saudação a Walt Whitman
“Work (Hoops)”, do artista Atsuko Tanaka
Por mim passam muitas vozes mudas há tanto tempo,
vozes das intermináveis gerações de prisioneiros e escravos,
vozes dos doentes e desesperados e dos larápios e anões,
vozes dos ciclos de preparação e crescimento,
e dos fios que conectam as estrelas - e do útero e do sêmen paterno,
e dos direitos dos que são oprimidos pelos outros,
dos deformados e insignificantes e chatos e imbecis e desprezados,
da neblina no ar e besouros rolando bolas de estrume.
Por mim passam vozes proibidas,
Vozes dos sexos e luxúrias....vozes veladas, e eu removo o véu,
Vozes indecentes, esclarecidas e transformadas por mim.
Não cruzo os dedos sobre a boca,
Cuido bem dos meus intestinos tanto quanto da cabeça ou do coração,
A cópula não é mais indecente do que a morte.
Acredito na carne e nos apetites,
Ver e ouvir e sentir são milagres, como é milagre cada parte e migalha de mim.
Sou divino por dentro e por fora, torno sagrado tudo o que toco ou que me toca;
O odor dessas axilas é um perfume mais caro que uma oração,
essa cabeça mais cara que as igrejas, bíblias, e todas as crenças."
Fragmentos de "Folhas de relva", de W. W.
alguma coisa em comum com
arrancos,
encontrões,
universo
3 de nov. de 2009
foi só isso
Houve um instante, breve instante, em que eu pensei: "Então é isso. Não há mais nada". E o destino cruel (pude ouvir seu riso maligno e mesmo agora meus olhos se apertam de ódio ao lembrar) cochichou: "Olhe para seu punho". Eu olhei, porque não havia outra coisa a fazer senão olhar. Não se desobedece destino, ainda mais quando basta seu sussurro para ocupar todo o ar ao redor.
Aí eu vi... Vi aquilo por que esperava há muito - tempo que confunde relógios: um pedacinho de tecido se soltava de meu punho, uma linha tão puída que era quase mesmo a pele. Seria pele se eu olhasse de novo, mas não deu tempo, porque eu vi a linha se soltando e se dissolvendo no ar. Por um instante, linha, pele e ar eram uma coisa só. E eu disse não. Não, mil vezes não. "Eu ainda não estou preparada". E uma voz (acho que era mesmo o destino. Ou Deus. Ou algo equivalente) disse sim.
E eu olhei ao lado e havia um moço se aproximando numa câmera lenta, em boca de beijo, tipo um bico. Eu disse: "Não. Mil vezes não. Eu não quero este."
Os olhos arregalados, um medão. Desejo que a linha se amarrasse novamente no meu punho, mas era mesmo um trapinho, só dos lixos. Quase gritei, com o corpo todo tremendo, o som entre os dentes: "Amarrrra!". Se eu gritasse seria um daqueles gritos de criança que quer o doce da vitrina a todo custo e acredita que a guloseima atravessará o vidro com a força do seu grito.
Mas sufoquei grito e tremor, porque me achei já grandinha e tive vergonha, e daí que o que contive teve a dimensão de uma aventura.
E o beijo veio porque o moço (repugnante - devo dizer - loiro e plácido) já estava perto demais. E a voz, que ainda ria de maldade, me mandou calar, advinhando a vontade do grito (é que meus olhos me traíam).
Eu queria ser mais forte que o laço que se quebrava, eu queria ser soberana a tudo aquilo que me acontecia sem minha permissão, e, sobretudo, eu queria dizer um palavrão bem impróprio para aquele tal destino ou Deus ou coisa equivalente.
Aí eu pensei em chorar, porque era o mais óbvio. Mas não achei justo. Porque não dava mais para voltar a esse ponto.
Então aceitei o beijo. O que me calou bem fundo e me engoliu as lágrimas.
E o destino riu, riu. Me abandonando pequena, ocupando apenas o meu lugar.
Aí eu vi... Vi aquilo por que esperava há muito - tempo que confunde relógios: um pedacinho de tecido se soltava de meu punho, uma linha tão puída que era quase mesmo a pele. Seria pele se eu olhasse de novo, mas não deu tempo, porque eu vi a linha se soltando e se dissolvendo no ar. Por um instante, linha, pele e ar eram uma coisa só. E eu disse não. Não, mil vezes não. "Eu ainda não estou preparada". E uma voz (acho que era mesmo o destino. Ou Deus. Ou algo equivalente) disse sim.
E eu olhei ao lado e havia um moço se aproximando numa câmera lenta, em boca de beijo, tipo um bico. Eu disse: "Não. Mil vezes não. Eu não quero este."
Os olhos arregalados, um medão. Desejo que a linha se amarrasse novamente no meu punho, mas era mesmo um trapinho, só dos lixos. Quase gritei, com o corpo todo tremendo, o som entre os dentes: "Amarrrra!". Se eu gritasse seria um daqueles gritos de criança que quer o doce da vitrina a todo custo e acredita que a guloseima atravessará o vidro com a força do seu grito.
Mas sufoquei grito e tremor, porque me achei já grandinha e tive vergonha, e daí que o que contive teve a dimensão de uma aventura.
E o beijo veio porque o moço (repugnante - devo dizer - loiro e plácido) já estava perto demais. E a voz, que ainda ria de maldade, me mandou calar, advinhando a vontade do grito (é que meus olhos me traíam).
Eu queria ser mais forte que o laço que se quebrava, eu queria ser soberana a tudo aquilo que me acontecia sem minha permissão, e, sobretudo, eu queria dizer um palavrão bem impróprio para aquele tal destino ou Deus ou coisa equivalente.
Aí eu pensei em chorar, porque era o mais óbvio. Mas não achei justo. Porque não dava mais para voltar a esse ponto.
Então aceitei o beijo. O que me calou bem fundo e me engoliu as lágrimas.
E o destino riu, riu. Me abandonando pequena, ocupando apenas o meu lugar.
alguma coisa em comum com
pulseirinha,
sim e não,
sonho sonhado
2 de nov. de 2009
alguma coisa de trágico e definitivo
Quando eu tinha meus dezessete anos, fazia uma idéia do amor. Pensava do amor maravilhas. "vou ser muito feliz, muito feliz", era o meu sonho, o meu desejo profundo. E, depois, quando me enamorei, quando me apaixonei, descobri a mais estranha das verdades: não havia entre o meu amor e a felicidade a menor relação. Eu amava e era infeliz. Descobri ainda, outra verdade: eu era infeliz, ele era infeliz. E não tínhamos culpa nehuma, nenhuma. Não fazíamos nada para merecer o nosso infortúnio. Lembro-me que, na época, uma senhora amiga, de vasta experiência amorosa, dizia assim:
- Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo.
(myrna. ou melhor, nelson rodrigues)
- Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo.
(myrna. ou melhor, nelson rodrigues)
-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Vamos admitir que o amor não passa de uma ilusão - E daí? Antes de mais nada, qualquer ilusão é susceptível de eternizar-se, de durar a vida inteira. Quantas pessoas não vivem e morrem com uma série de ilusões? Quantos homens e mulheres não vivem iludidos. E, nesse caso, que diferença fará uma ilusão de uma realidade, tanto mais que ela exista para enfeitar, para embelezar, para poetizar a vida?[...] Que seria de nós, que seria da vida, que seria do mundo, se, de repente, todas as ilusões desaparecessem da face da terra?
- Ninguém mais suportaria a vida, ninguém mais suportaria o mundo.
Portanto, o amor pode ter todos os defeitos, menos esse. O fato de ser ou não ser uma ilusão não exprime nem uma virtude, nem uma falha. Só uma coisa, na realidade, importa: o tempo que durará a ilusão. Digamos que seja eterna. Impossível desejar um bem melhor, uma sorte mais lírica e mais feliz do que uma ilusão que resiste a todas as provas e acompanha a pessoa até o túmulo.
(myrna. ou melhor, nelson rodrigues)
alguma coisa em comum com
folha do não me toques e o medo da solidão,
pouco amor não é amor
deu o sidney em mim
"Quando alguém abandona outro alguém
Devia ao menos dizer: vou de trem
Adeus meu bem e passe bem" (itamar assumpção)
"Desde que nasci
Acho natural
Tanta solidão
No esplendor do carnaval" (ná ozzetti)
"amor é fogo" (camões)
"opa! vc pecebeu?
Quase caímos
n
o
s
i
l
ê
n
c
i
o
esse abismo que passou." (eu mesmo)
"a mulher pode se privar de pão; de amor, nunca" (myrna)
Devia ao menos dizer: vou de trem
Adeus meu bem e passe bem" (itamar assumpção)
"Desde que nasci
Acho natural
Tanta solidão
No esplendor do carnaval" (ná ozzetti)
"amor é fogo" (camões)
"opa! vc pecebeu?
Quase caímos
n
o
s
i
l
ê
n
c
i
o
esse abismo que passou." (eu mesmo)
"a mulher pode se privar de pão; de amor, nunca" (myrna)
alguma coisa em comum com
aforismos esparsos,
cantarolar,
Melhor era tudo se acabar
28 de out. de 2009
aqui nos xacriabá
ciência do casamento
se um homem descascar uma laranja e a casca quebrar, ele não dá conta de uma família.
ciência do sonho
o sonho tem vários significados. Através dele, ficamos informados do que irá acontecer de bom ou de ruim na vida.
Ao sonhar com ovos, por exemplo, não pode contar pra ninguém, porque significa fuxixo. Levanta da cama bem cedinho, antes que o sol saia, vai ao fogo e abre um buraco no meio das cinzas, e cochicha três vezes, dizendo que sonhou com ovos. Pode também abrir um buraco e contar o sonho (três vezes), depois tampa com a terra e põe uma pedra por cima. Para o fuxico não sair. Depois disso, pode contar pra quem quiser.
caminho de santiago
é uma parte mais estrelada do céu, que anda muito. Os físicos chamam de via-láctea.
prévia do livro de Ducilene, Vanilde e Anide Xacriabá, que ficará pronto em 2010! O livro está sendo preparado, chama-se "Sabedoria, crença e ciência". E é lindo demais.
se um homem descascar uma laranja e a casca quebrar, ele não dá conta de uma família.
ciência do sonho
o sonho tem vários significados. Através dele, ficamos informados do que irá acontecer de bom ou de ruim na vida.
Ao sonhar com ovos, por exemplo, não pode contar pra ninguém, porque significa fuxixo. Levanta da cama bem cedinho, antes que o sol saia, vai ao fogo e abre um buraco no meio das cinzas, e cochicha três vezes, dizendo que sonhou com ovos. Pode também abrir um buraco e contar o sonho (três vezes), depois tampa com a terra e põe uma pedra por cima. Para o fuxico não sair. Depois disso, pode contar pra quem quiser.
caminho de santiago
é uma parte mais estrelada do céu, que anda muito. Os físicos chamam de via-láctea.
prévia do livro de Ducilene, Vanilde e Anide Xacriabá, que ficará pronto em 2010! O livro está sendo preparado, chama-se "Sabedoria, crença e ciência". E é lindo demais.
alguma coisa em comum com
coceira no solado do pé é vontade de caminhar,
saudade mata a gente
26 de out. de 2009
poeminhas de amor à-toa
foi impressão minha
ou
você me chamou de
demônio
iara sereia súcubo górgone
?
eu sou apenas uma mulher
ou uma intenção disso.
(PS: Não busques o anjo).
************
isso que você procura
aqui ali em Londres
nas fronteiras tropicais
além do Nilo ou do Prata
nas vidas intraterrenas
no cosmos da via-láctea
está
aqui
no meu regaço
bem aqui
onde há peito
e respiração
************
para ser amor, só falta isso: passividade
deixe-me assim feminina, esperando
isso que eu ainda não sei
tô lutando
para ser amor, só falta isso: ação
fique assim bem homem
na coragem ousada de quem toma
isso você não sabe
aprenda
o contrário:
os velhos erros
eu espero
corpo de espera
************
para ser amor, só falta isso: passividade
deixe-me assim feminina, esperando
isso que eu ainda não sei
tô lutando
para ser amor, só falta isso: ação
fique assim bem homem
na coragem ousada de quem toma
isso você não sabe
aprenda
o contrário:
os velhos erros
eu espero
corpo de espera
a visita é sua
estarei na janela
************
agora
só falta
saber seu cheiro
sabores
(da alma eu já sei)
alguma coisa em comum com
igual mato,
onde buscas o anjo,
tem mais,
vem buscar
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