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22 de nov. de 2009

pequena prisão domiciliar

nada me alimenta mais:
este sonho
que consome todas as minhas energias

paro por completo
o sangue
não vejo o relógio
não escuto seus planos

não como
e canso do paladar de mim mesma

não leio
e não suporto mais letra que seja

o pensamento é turbilhão

os cheiros da minha cama revelam quem eu fui ontem

lavo tudo
limpo
livro

mas não movo um músculo

o pensamento é turbilhão
pensamento
músculo?

No espelho estou tão magra e pálida!
Fatigada mesmo
movimento interno
só posso mesmo descansar

resta
deitar suja na cama suja
deixando pingos no chuveiro
aberto por inútil propósito
agredindo a ecologia

devoro os nós dos dedos
os restos
até retomar os quilos perdidos
coro
saudável de sangue
perfumo-me e saúdo o dia

exalo um cheiro estranho
bem mais do que eu
irreconhecível

e saio por aí
ainda presa em algo
que sou eu